A TV morreu. E reencarnou nela mesma.

A TV morreu. E reencarnou nela mesma.

Alexandre Silveira | Diretor de Criação e Sócio da Bronx

 

A TV morreu. E reencarnou nela mesma.

Cenário de época, com decoração típica do começo dos anos 70. A câmera passeia pela sala de estar e fecha em close num homem de meia idade que olha fixo para um aparelho de TV antigo, enquanto degusta um gole de Cognac. O filho caçula tenta chamar sua atenção, mas o telespectador hipnotizado apenas leva o dedo indicador da mão direita aos lábios, em sinal de silêncio. Corta para a mesma sala nos dias de hoje, com o piso de parquê quadriculado recuperado e envernizado, de onde se erguem móveis de design descolado que desmontam após a primeira mudança.

A Tv agora é de LED, toda moderninha e com anatomia de miss anoréxica comparada à sua antepassada. Como toda miss, aliás, acabou meio esquecida. Ela está ligada em volume baixo, num monólogo infinito dirigido às paredes, enquanto no sofá um casal procura ideias de pratos para o jantar, cada assistindo a um video no seu respectivo smartphone. Essa sequência de cenas mostra o que já é realidade há algum tempo: o celular é hoje a primeira tela. Uma nova tela de TV, acima de tudo. E esse texto foi iniciado em forma de roteiro apenas para lembrar a consequência disso: quem quiser criar ações de sucesso para internet e mobile vai precisar cada vez mais dominar a linguagem audiovisual. O resto - para usar linguagem de produção - é figuração. Senão, vamos aos fatos. Esqueçamos o Netflix, os aplicativos de canais de futebol e outros que já nasceram com foco em reprodução de video.

O Spotify, que no início só tocava arquivos de áudio, já virou um canal musical de TV na versão americana, exibindo clipes e conteúdo de emissoras como a ESPN. O Instagram, reduto de apaixonados por fotos, já tem vídeos dividindo o espaço a cotoveladas com as “selfies full filter”. Segundo a própria rede, o tempo que os usuários passam assistindo filmes cresceu 40% nos últimos meses. Tanto que o “Insta” agora passou a aceitar arquivos maiores, com 1 minuto de duração, e a permitir edição de imagens. A estrela maior da companhia Zuckeberg, o Facebook, nada mais é do que um senhor “broadcasting” de TV. Quando você posta um vídeo feito com o seu iphone ele é imediatamente interpretado pelo algorítmo da plataforma como um conteúdo mais relevante que um post estático, daqueles com foto. Portanto, ganha maior destaque na “timeline" e aumenta as chances de impactar um público maior e ir mais longe no alcance. Tudo isso por um motivo muito simples: as pessoas sempre tiveram paixão por imagem em movimento. Na internet não seria diferente.

Com a massificação da banda larga e melhora da capacidade de reprodução de filmes o boom era inevitável. Parece óbvio, mas é incrível o número de Fanpages estáticas e sem vida ainda hoje, só para ficar no exemplo do Face. Muitas agências estão a par desse cenário mas ainda não se mexeram para acompanhar a revolução. E outras, como a RGA, já embarcaram nessa espaçonave e deixaram seus concorrentes comendo poeira cósmica. Porque deram ao conteúdo online audiovisual a devida importância na estratégia de comunicação. Para isso é preciso resetar o “mindset" e mudar inclusive a estrutura tradicional de operação das agências. Como a RGA fez. É preciso ter gente e equipamento que tornem possível criar, produzir e subir vídeos num prazo muito menor do que o das produções publicitárias. E se desapegar de critérios de qualidade que hoje estão obsoletos.

O video vertical, o "motion design" simples e até o famigerado pau de selfie podem conviver muito bem com produções maiores e mais onerosas. Não existe certo ou errado nesse universo online onde orbitam milhares de mensagens de todos os formatos. Talvez a maior diferença seja que nessa nova TV quem manda é o anunciante. Ele é o dono do seu próprio canal, quem monta toda a programação, define o investimento com mais flexibilidade, escolhe a dedo com quem quer falar. E como se não bastasse, se o conteúdo for bom ainda pode hipnotizar o telespectador da mesma maneira que o seu tataravô, o televisor de tubo, fazia nos anos 70. 

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Alexandre Silveira é Diretor de Criação e sócio da Bronx e da BE MEDIA, nova empresa do grupo especialista na gestão de canais online. Ele tem mais de 20 anos de carreira nos quais conquistou prêmios em festivais, revelou dezenas de criativos e construiu cases de sucesso trabalhando para marcas como Ford, Unimed, Fiat, Coca-Cola, Pão de Açúcar, Vivo, HSBC, PUC, Gafisa, PolloShop, Grupo NZN, entre outras. Foi o primeiro presidente e é o atual vice-presidente do Clube de Criação do Paraná.

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