Autopublicação e a força dos quadrinhos no Brasil

Autopublicação e a força dos quadrinhos no Brasil

 

S. Lobo, roteirista e editor da Dr. Gori RED NEWS: Quando começou seu interesse por quadrinhos e qual o seu percurso profissional até o momento? LOBO: Desde sempre eu lia quadrinhos. Mas o Zé Carioca, desenhado pelo gaúcho Canini, chamou minha atenção pelo traço original e pelas histórias de teor brasileiro, foi quando comecei a guardar as revistinhas em uma caixa de sapato. Aos dezoito anos, ganhar dinheiro com quadrinhos parecia impossível, e estudar publicidade era uma boa alternativa profissional. Trabalhei alguns anos como diretor de arte e cheguei a ser diretor de criação de uma pequena agência. Em 2003, eu comecei a editar uma revista de rock em quadrinhos chamada MOSH! - Só Quadrinhos Roquenrou. Depois fui editor de quadrinhos da Desiderata, onde publiquei diversos autores nacionais e lancei, como roteirista, o álbum Copacabana, desenhado pelo Odyr. Depois criei a Barba Negra, onde lancei mais quadrinhos nacionais e internacionas. Também fui diretor das duas edições do evento Rio Comicon, em 2020 e 2011. RED NEWS: Há grandes feiras voltadas aos quadrinhos, como a Gibicon (de Curitiba) o Rio Comicon e o FIQ, a Feira Internacional de Quadrinhos. Qual o objetivo desses eventos e qual a importância deles para os profissionais da área?LOBO: São importantíssimos, pois promovem os quadrinhos no Brasil. Possibilitam o encontro do público com autores nacionais e internacionais. Dão acesso ao público a belas exposições, workshops, mesas redondas e palestras. As feiras são de extrema importância para a consolidação e crescimento da indústria do quadrinho nacional. RED NEWS: Quais autores e ilustradores de quadrinhos você mais admira e por quê? LOBO: Esta é difícil. São tantos. E pelos mais diferentes motivos. Curitiba tem muitos quadrinistas de primeira linha. RED NEWS: Qual o maior desafio do profissional na hora de colocar o trabalho na rua? LOBO: São necessárias diferentes competências para se publicar um livro, conhecimento do mercado editorial, de distribuição, marketing, comercialização, linguagem dos quadrinhos, edição, produção editorial, língua portuguesa, tradução, revisão, arte, design gráfico, produção gráfica… O maior desafio é integrar tudo isso em uma edição onde autor, editora e público fiquem satisfeitos. RED NEWS: Qual a importância de entender de autopublicação? Como isso pode influenciar a carreira do artista? LOBO: É difícil uma editora apostar em uma autor iniciante. A editora precisa de liquidez, precisa ter alguma segurança de que o investimento vai retornar. Por outro lado, hoje o autor tem todas as ferramentas necessárias para editar e publicar o próprio livro e, assim, criar seu próprio público. Deste modo o autor pode passar o resto da vida se autopublicando e viver muito bem disso. Ou pode chegar à editora em outro patamar de negociação, mostrando que existe leitor para o seu trabalho. RED NEWS: Como está o mercado de quadrinhos no Brasil e no mundo? Qual o perfil do público que consome esse tipo de publicação? LOBO: Não tenho muitos dados para falar de quadrinhos no mundo, mas me parece que vai bem. No Brasil, estamos vivendo um momento de muito trabalho e muito crescimento. O mercado dos quadrinhos tem crescido nas bancas e nas livrarias. Isso porque não temos mais um público específico. Já não existe um leitor de quadrinhos padrão, assim como não tem um público específico de cinema ou de literatura. Existe quadrinho para todas as idades e para todos os gêneros. RED NEWS: Que dicas você dá a quem tem um trabalho autoral e quer publicar? LOBO: Bem, sou defensor da autopublicação.  Eu mesmo comecei me autopublicando, criei o meu mercado e me tornei editor. Acredito que existem muitos caminhos para se começar, mas a autopublicação, para mim, é o mais recomendável. Por isso, juntei tudo que fui aprendendo no caminho e coloquei no workshop Autopublicação em Quadrinhos. Eu dei muito murro em ponta de faca para aprender, você não precisa passar por tudo isso.

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