Beatriz, Marina e porque nossos empregos estão em risco

Beatriz, Marina e porque nossos empregos estão em risco

 

Quem me conhece um pouquinho sabe que eu tenho duas filhas sensacionais e que sou perdidamente apaixonado por elas – a Beatriz de 8 anos e a Marina que vai completar 4 daqui a pouco. E, junto com minha esposa, observei um fenômeno bem interessante no comportamento delas.

A Beatriz, quando tinha a idade que a Marina tem agora, conhecia absolutamente todos os brinquedos que eram lançados pela indústria. Ela nunca foi uma criança consumista, mas quando chegava perto de alguma data comemorativa (aniversário, dia das crianças, Natal…), era aquela confusão: ela queria um monte de coisas e, claro, tínhamos que fazê-la escolher uma entre as várias ‘opções’ que ela trazia. E com a Marina agora é exatamente o contrário: ela simplesmente não conhece os brinquedos que estão bombando nas lojas, não pede presentes específicos e cabe ao papai e à mamãe (ok, mais à mamãe...) achar alguma coisa que ela possa curtir.

Talvez tenha um pouco a ver com a personalidade delas mas, se tiver, é muito pouco. Tem a ver mesmo é com a forma como elas consomem conteúdo, entretenimento e, principalmente, MÍDIA. A Bia com 4 anos sabia praticamente de cor a programação do Discovery Kids – com algumas escapadinhas pro Disney Channel e pro Cartoon Network. Assim, era impactada com bastante frequência pelos diversos comerciais de brinquedos que veiculavam nessas emissoras. A Marina muito raramente assiste alguma coisa nesses canais, tudo o que ela gosta de ver está no Netflix e eventualmente no Now, da Net. Ou seja, conteúdo on demand: ela assiste o que quer, na hora que bem entender, independentemente de horários ou grades de programação.

Deu pra sacar, né? A diferença de idade entre elas é de 4 anos e pouco. Ou seja, em 4 anos, o jeito de se comunicar com as crianças (e pais) mudou completamente – e pelo visto a indústria de brinquedos não percebeu ainda. Isso é totalmente empírico, mas me parece claro que esse fenômeno que ocorreu com as meninas pode ser facilmente extrapolado pra outros segmentos de público. O jogo mudou, o tabuleiro é diferente e as peças disponíveis também. E aprender a jogar esse novo jogo parece ser condição pra conseguirmos preservar nossos empregos – e continuar comprando brinquedos bacanas pros nossos filhos :) 

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Cícero Rohr é diretor de atendimento da Master Comunicação e professor na Redhook School. Iniciou sua carreira na área de planejamento, já trabalhou com clientes de vários portes e segmentos e participou de diversas campanhas e cases premiados no Brasil e no mundo. Foi presidente do Grupo de Planejamento e Atendimento do Paraná (GPAPR) e eleito Profissional de Propaganda do ano 2014 no Prêmio Colunistas Paraná.

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