Cannes Review: Carla Alzamora

Cannes Review

O melhor do festival 2014 pelos criativos paranaenses

 

Cannes Review: o melhor do festival 2014 pelos criativos paranaenses

Carla Alzamora, Diretora de Planejamento da Heads Propaganda

RED NEWS: Ganhar prêmios, como Cannes, traz benefícios pra agência e pro cliente? Como?
CARLA: Traz. Para ambos. Para a agência traz o reconhecimento de que a peça, campanha, estratégia que criou está entre as melhores. E esse reconhecimento atrai a atenção do mercado, de potenciais clientes, de gente talentosa com vontade de fazer parte da equipe. Eu diria que impacta em todas as áreas da agência, da criação ao RH. Para o cliente idem. Para um trabalho ser premiado a ideia precisa se destacar entre as concorrentes, seja pela essência, pela simplicidade, pela execução, pela produção ou pelos resultados que ela traz. E isso, obviamente, faz com que o cliente se destaque. A mensagem que ele quer passar fica certeira e sua imagem fortalecida.

 

RED NEWS: O que você viu no Festival de Cannes deste ano que mais de impressionou?
CARLA: A ousadia da campanha de natal criada pela Adam&EveDDB de Londres para a Harvey Nichols, Sorry, I spent it on myself. A campanha subverte qualquer expectativa que as pessoas possam ter sobre campanhas de natal. Ela retrata uma característica inerente à maioria dos seres humanos, o egoísmo. Mais especificamente, fala do desejo de cada um de se permitir dar a si mesmo um presente melhor (e muito mais caro) do que para os outros, um presente Harvey Nichos. Para ninguém ficar de mãos abanando, eles criaram uma linha de produtos muito baratos (e questionáveis). Foi uma estratégia integrada que uniu publicidade, promo, design, relações públicas em uma execução impecável. É uma postura extremamente corajosa que agência e cliente assumiram.

RED NEWS: No debate sobre Cannes, tinha vários cases envolvendo tecnologia. Qual a influência da Tecnologia sobre a propaganda atualmente, na sua opinião?
CARLA: Em Cannes tive a oportunidade de ver uma palestra do Neil Harbisson, que se apresenta como o primeiro humano ciborgue do mundo. Ele usou a tecnologia para suprir uma deficiência visual dele que era não enxergar cores. Como ele fez isso? Criou um dispositivo que lê as frequencias das cores e transforma em sons. Mas levou isso à um extremo, a solução dele foi implantar esse dispositivo na própria cabeça como uma antena. Enfim, vale procurar o cara na internet para entender o que eu estou falando. Por mais maluca que seja essa história, aí está a ponte do que a tecnologia por trazer para nós. A possibilidade e agregar uma nova capacidade, de viver uma experiência, de adquirir habilidades que não teríamos sem a tecnologia. Posso citar três cases que fazem isso de jeitos completamente diferentes. O case que foi o primeiro Grand Prix de Mobile do Brasil para a Nivea Sun Kids, feita pela FCB que torna real o sonho de todas as mães, a possibilidade de saber onde seu filho está na praia, e avisa quando ele se distancia. Uma grande capacidade adquirida. Outro case é o The sound of Honda, da Dentsu, que usou a tecnologia para recriar a experiência da volta mais rápida do Ayrton Senna no Grande Prêmio do Japão. O terceiro foi o Leão de Innovation do Brasil, o Fiat Live Store da AgênciaClick Isobar, que usou a tecnologia para criar um device que possibilitou uma nova forma de ver, conhecer e interagir com os vendedores. Uma nova experiência de compra.

RED NEWS: O que você acha dessas novas disciplinas como Design Thinking, Storytelling, Branded Content, como se relacionam e influenciam a propaganda tradicional? Você viu bons exemplos de aplicação delas em Cannes?
CARLA: Acho que são formas de classificar coisas que fazemos desde sempre. Essa discussão é longa. Design thinking é metodologia, não disciplina. Design é disciplina. Branded Content é comunicação. Storytelling é a essência de tudo que fazemos. O que fazemos além de contar histórias? Enfim, não vejo como novas disciplinas. Mas temos sim bons exemplos de ações que exploram essas possibilidades. Para citar um exemplo que ainda não falei aqui, a Warner fez para o lançamento do filme Lego um projeto que inscreveu em branded content e mídia. Eles compraram um break comercial inteiro e refilmaram 4 comerciais bastante conhecidos dos ingleses, como Lego. O break passou essas 4 versões e terminava com o trailer do filme. Isso é storytelling? É. Isso é branded content? É também.

RED NEWS: Considerando tudo o que viu em Cannes, que caminhos você acha que a propaganda deve seguir nos próximos anos?
CARLA: Mais do que a propaganda, acho que o caminho que as agências devem seguir nos próximos anos é de entrar mais a fundo nos problemas dos clientes para entender os problemas e ajudar na solução. A comunicação pode ter seu papel na solução desse problema? Claro que sim. Mas de maneira cada vez mais relevante para o negócio. Vejam o case do Rice Code de uma agência japonesa chamada Hakuhodo. O trabalho que eles desenvolveram teve impactos em diferentes níveis, desde a venda de arroz, à economia da região, aos índices de turismo. Só vendo o case pra entender. Recomendo.

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