Criando a identidade mais básica de uma empresa: a fonte

Criando a identidade mais básica de uma empresa: a fonte

 

Diariamente, Fabio Haag, designer de fontes e Diretor na Dalton Maag, cria fontes personalizadas para diferentes clientes. E ele adora o que faz. RED NEWS: Quando você começou a se interessar pela tipografia? Como foi o começo neste segmento? FABIO: Difícil dizer como iniciou, pois há alguns anos encontrei meus cadernos escolares, de quando era criança, e me surpreendi ao ver ali vários estilos de letra diferentes, alguns mudando bastante de uma época para outra. Eu lembro que era bastante perfeccionista com aqueles cadernos – rasgava uma página com rasuras e a reescrevia, porque tinha que ficar ‘certinho'. Minha relação com a tipografia começou a ficar mais séria após eu realizar um workshop com o meu agora colega Bruno Maag, em 2002, quando ele veio ao Brasil à convite da ADG para a 6ª Bienal de Design Gráfico. Foi um evento histórico para a tipografia no Brasil. Muitas pessoas ligadas à área hoje estavam presentes, como o Henrique Nardi, Marina Chaccur, Rafael Neder, Billy Bacon, Crystian Cruz e vários outros. Neste workshop surgiram os primeiros esboços da minha fonte Foco, que é hoje uma das mais vendidas da Dalton Maag. Nos anos seguintes, fui me aventurando como autodidata na área e descobrindo que gostaria de viver de tipografia. Realmente me apaixonei por isso, é o design na sua forma mais pura – apenas preto e branco, forma e contra-forma, com uma função clara a desempenhar, mas, ainda assim, envolto por uma aura artística. O conhecimento é tão específico e técnico e, ao mesmo tempo, a tipografia está tão presente no nosso dia a dia, que adentrar neste universo foi fascinante. RED NEWS: Como é a experiência de trabalhar em um escritório de design multinacional? FABIO: É fantástico, tenho colegas de 18 nacionalidades diferentes. Isso proporciona uma riqueza cultural sem paralelo, que influencia tanto no resultado do trabalho como no meu desenvolvimento pessoal. Às vezes tenho reuniões iniciando às 6 da manhã, mas felizmente isso não me incomoda. RED NEWS: Como foi desenvolver a tipografia para Petrobras? Como foi o processo? FABIO:Foi uma oportunidade, e uma responsabilidade, muito grandes. Iniciamos em 2011 e estávamos falando da maior empresa do Brasil. Fomos acionados pela LED Project, estúdio de São Paulo, que estava trabalhando na revisão da identidade da Petrobras. Iniciamos analisando os desafios: a tipografia precisava ser legível e acessível a um público enorme, da pessoa em frente à bomba de combustível até os mais altos executivos da Petrobras. Precisaria ser aplicada numa variedade de situações, do relatório anual até o display no ponto de venda da BR Mania. Precisava ser única, mas resistir ao tempo e não parecer datada por pelo menos 10 anos. Enfim, eram vários desafios. Toda a nossa equipe no Brasil (na época éramos 3) trabalhou em conjunto com alguns designers do estúdio de Londres e criamos um total de 42 conceitos tipográficos. Em conjunto com a LED, selecionamos 6 que foram então apresentados e discutidos com o cliente. Após algumas rodadas, seleção e ajustes, chegamos na Petrobras Sans, um resultado o qual estamos muito satisfeitos. RED NEWS: Qual conselho você daria para aqueles que estão iniciando no universo dos tipos? FABIO: Que comece a desenhar letrinhas, que faça, que aja. Que leia e que pesquise, mas que suje as mãos de tinta e vire madrugadas desenhando fontes no computador. Design tipográfico é prática, é um ofício que estamos sempre aprendendo e nos aperfeiçoando. Hoje, a quantidade de informação disponível na internet e de cursos no Brasil é imensa. Meu único conselho: vai lá e faz.

 

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