Desde guri eu e o meu pai listamos livros e filmes com nomes fascinantes

Desde guri eu e o meu pai listamos livros e filmes
com nomes fascinantes 

dica cultural - marcelo edurudito

by Marcelo Guimarães | CCZ/WOW

Desde guri eu e o meu pai listamos livros e filmes com nomes fascinantes. Independente da qualidade deles, o que interessava era o nome, o título: Fogueira das Vaidades, O Som e a Fúria, As Vinhas da Ira, O Apanhador no Campo de Centeio e por aí vai. Nessa brincadeira, cismei com A Insustentável Leveza do Ser.

Passou a ser um livro que eu queria ler. E aí, calhou dele aparecer na agência, perambulando pelas mesas, pra lá e cá. Peguei emprestado, mas combinei de não levar pra casa – era de freela e eu temia que ela saísse antes que eu terminasse, e devolver seria uma epopeia. Resolvemos que eu leria na minha mesa, um pouquinho por dia antes de começar a labuta. Ora, que nada. Cinco dias nessa brincadeira e eu rompi com meu próprio contrato – levei o texto pra casa, onde eu o leria com o carinho e a atenção que ele pedia. E foi fascinante, como o título apontava.

Numa resenha simples e sem revelar demais, Kundera confronta peso e leveza. O peso é o compromisso, a moralidade, a regra; e a leveza é o não-engajamento, a liberdade, a ausência do pecado – a vida aos assobios.

O livro estampa nas vidas de 4 protagonistas (Tereza é uma personagem estupenda, atentem a ela!) o impacto que cada uma dessas coisas provoca nelas, que são tecidas intimamente. São dois casais e dois imbróglios carregados de pontas soltas e filosofia condensada. Ora pois, devagar com o andor que o santo é de barro e eu não pretendo contar mais do que isso. O resto, se interessar, você descobre avançando pelas não demoradas 300 e poucas páginas, à venda na Amazon por parcos 20 reais – ou um almoço executivo nesses dias de inflação pesada (alô, Kundera!).

Por fim, conto só que outro costume que reparto com meu pai é anotar grandes frases de filmes ou livros. E do A Insustentável Leveza do Ser anotei essas, que divido com os senhores agora, para vosso deleite: “Se a maternidade é o próprio sacrifício, ser filha é a culpa que jamais poderá ser resgatada.” “No tempo em que morava com a mãe, não lhe era permitido trancar a porta do banheiro. Com isso, a mãe lhe dizia: seu corpo é como todos os outros corpos; você não tem direito ao pudor; não tem direito de esconder uma coisa que existe de forma idêntica em milhões de exemplares.” “Com certeza teria preferido dormir só, mas o leito comum permanecia símbolo do casamento, e os símbolos, como se sabe, são intocáveis.” “Só queria ficar um momento na casa do engenheiro; apenas o tempo de tomar um café, apenas o tempo de descobrir a sensação que dá chegar até a fronteira da infidelidade.” “Porque o que excita o a alma é justamente ser traída pelo corpo, que age contra a sua vontade, e assistir a essa traição."

A dica cultural de hoje veio do Marcelo Erudito Guimarães, o Eru, redator CCZ/WOW há 3 anos. Antes, foi da Heads, por uns 3 ou 4 anos, e da Bronx, por mais uns 3. Trabalhou com marcas legais como Coca-Cola, Heineken, Chevrolet, Petrobras, Volvo, Unimed Curitiba, Governo do Estado do Paraná e Mundo Livre FM. É formado em Letras pela Universidade Federal do Paraná.

Toda sexta-feira tem dica cultural aqui em nosso blog e em nossas redes sociais. Acompanhe. Bom final de semana! 

 

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