Design thinking, economia criativa e mercado de trabalho

Design thinking, economia criativa e mercado de trabalho

com Tulio Filho

 

Tulio Filho, diretor de planejamento da Blu Design e Comunicação O Tulio é um dos profissionais que sempre participma ativamente de várias atividades no mercado paranaense. Quando assume um job, ele leva muito a sério, cumpre prazos e entrega sempre bons resultados. Além de ser um cara que circula facilmente entre todas as agências, estúdios e se dá muito bem com todos os profissionais do mercado. RED NEWS: Tulio, quando começou sua carreira, como foi esse início?
TULIO: Comecei minha carreira em 1994 em um escritório de design. Na época, trabalhava com computação gráfica, um termo bem genérico que englobava quase tudo que fazíamos no computador, uma super novidade. De desenhos técnicos em CAD até vinhetas eletrônicas e desenhos animados. Foi aí que passei a ter contato com a comunicação. O escritório prestava serviço para agências de publicidade. Me apaixonei por este mundo. Tive um convite para trabalhar em uma agência e fui. Trabalhei em agências como designer, diretor de arte e diretor de criação por 8 anos. Trabalhei muito, mas muito mesmo. Depois, acreditei que se eu tivesse minha empresa iria conseguir gerir melhor meu tempo. Meu maior engano. Fundei com a Miriam Zanini a Blu Design e Comunicação em 2000, mas só entrei com a corda toda na Blu quase um ano depois. Na Blu, tínhamos clientes e pouquíssima estrutura. Trabalhei muito, muito mais ainda. O escritório foi crescendo, com mais clientes e mais pessoas dispostas a fazer uma empresa bacana. Em 2004 atingimos um nível muito interessante de trabalho e estrutura que nos levou a assinar como empresa de Comunicação Integrada. Este era nosso objetivo desde o início da Blu. A partir deste momento, fui abandonando a plataforma Adobe (softwares gráficos) e fui mergulhando no mundo de documentos, pesquisas e planilhas. Nesta época eu já fazia atendimento aos clientes. Comecei a perceber neles uma carência em suas estratégias. Paralelo a isto, me graduei em Administração e a relação com o Design surgiu naturalmente pela via do planejamento. Depois de alguns anos, a Blu voltou a ser "Design e Comunicação". O motivo: o mercado de design voltou a crescer e precisávamos resgatar nossa origem. Hoje na Blu, sou Diretor de Planejamento. Como planner me sinto muito à vontade para exercer minha criatividade de outra forma. Mas às vezes, quando me deixam, ainda mato um job.
RED NEWS: E como surgiu a ProDesign>pr, que hoje é uma referência para estudantes e profissionais do mercado de design paranaense? TULIO: Em 2009, junto com outros profissionais do mercado, fundamos a ProDesign>pr - Associação das Empresas e Profissionais de Design do Paraná. Na primeira gestão, fui Diretor Financeiro, talvez pela minha maior proximidade com a Administração. Na segunda gestão atuei como Presidente e, junto de uma excelente equipe de diretores, conseguimos dar visibilidade ao design nunca antes vista em nosso mercado. A ProDesign cresceu em número de associados, mas principalmente na qualidade e frequência de eventos que trouxeram conteúdo relevante e colocaram o design paranaense no cenário nacional.
RED NEWS: Além dos eventos que movimentam o mercado, o que mais você e PRO tem feito? TULIO: A Semana D é um exemplo disto. Uma semana inteira com eventos relacionados a design, inspirada nas design weeks que acontecem principalmente na Europa. Também pudemos discutir assuntos importantes como a remuneração, o direito autoral e as concorrências. Fiquei na Presidência entre 2010 e 2013. Agora, meu trabalho tem sido na busca pela inclusão do design nas políticas públicas, como Delegado da Região Sul, no Colegiado de Design do Conselho Nacional de Políticas Culturais do MinC. Tenho feito este "meio de campo" entre o mercado e os órgãos governamentais que é muito importante para o fortalecimento da atividade.
RED NEWS: Como você definiria a fase atual do mercado de design?
TULIO: O design está em mega evidência. Não é à toa que o design thinking virou palavra fácil no discurso de gestores de empresas. Segundo entrevista recente de John Maeda, uma das pessoas mais influentes deste século, a arte e o design estão preparados para transformar a economia, assim como a tecnologia e a ciência fizeram no século passado. Isto dá um indicativo do horizonte que se abre para os profissionais de design, mas também do que se espera destes profissionais. Os incentivos que começam a surgir para a chamada Economia Criativa são parte disto. O resultado é uma necessidade de mudança de postura dos profissionais de design.
RED NEWS: E como os profissionais podem se preparar para encarar essa nova fase?
TULIO: Hoje não podemos mais pensar exclusivamente em resolver um projeto. Precisamos ser consultores, aplicando design nas marcas e produtos. Resumindo, cada vez mais precisamos pensar na solução, independente de meio. E só uma visão mais abrangente e um aprofundamento maior no desenvolvimento de conceitos pode dar conta desta expectativa. Precisamos mais que nunca, gerar experiências positivas para marcas e produtos. Por exemplo, o desenvolvimento de uma identidade não pode ficar estanque, parado no Manual de Identidade. Uma marca precisa ser viva. Como fazer isto?
RED NEWS: Além de trabalhar todos os dias na Blu, exercer o papel de ativista em prol do mercado paranaense, você ainda vai coordenar este ano o curso de design gráfico da REDHOOK. Qual a necessidade de um curso como esse e como irá auxiliar o mercado?
TULIO: Como presidente de uma associação de designers que tem em seu quadro muitos diretores e proprietários de escritórios, o que mais ouvi nestes últimos 3 anos foi a dificuldade em se contratar bons profissionais. Infelizmente, vivemos uma economia voltada ao mercado. E a academia, por maior boa vontade que possua, não consegue se adaptar tão rapidamente às mudanças que o mercado impõe. Acaba sobrando para o próprio mercado, a tarefa de formar os profissionais. Mas aqui encontramos o primeiro problema. O mercado "forma" pessoas que interessa a ela, buscando "apagar incêndios", ou seja, resolver o problema momentâneo da carência de bons profissionais. Em médio ou longo prazo isto é ineficaz. Este é o maior motivo pelo qual aceitei o convite para ser coordenador do curso Red Graphic Design. Trabalhar os profissionais, desejando uma mudança de postura. Não queremos "formar" ou "formatar" ninguém. Queremos mostrar o que o mercado está fazendo e deixar que os próprios alunos e profissionais consigam encontrar soluções eficazes baseadas em muito conteúdo, com grande profundidade e relevância. O curso foi pensado em três focos: aprofundamento de conceitos, experiência adquirida na prática e no relacionamento com profissionais renomados do mercado e como administrar a carreira. Assim, os módulos possuem também esta divisão em focos. Em um primeiro momento, os módulos buscam a mudança de postura, saindo da zona de conforto. Em um segundo momento, levamos a experiência de grandes profissionais para os alunos, encurtando caminhos e demonstrando a prática da vida real, ou seja, aquilo que acontece todos os dias nos escritórios de design. E por fim, buscamos demonstrar a importância da administração da carreira. Não importa se o aluno pretende ser um freela, dono de escritório ou colaborador em uma empresa. Ele precisa ter consciência sobre seu valor e como quer estar posicionado no mercado.  Além de contar com a coordenação do Tulio, o curso de design da REDHOOK traz vários outros profissionais para ministrar diferentes módulos. A primeira edição acontecerá em Curitiba e está com inscrições abertas. As aulas começam no dia 15 de março, sempre aos sábados. Informações com Deisy pelo email contato@redhookschool.com ou 41 3524 9702.

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