"Essa ideia é para vender. Essa outra é para a pasta."

"Essa ideia é para vender. Essa outra é para a pasta."

by Vitor Frasson | Criativo que atua no Marketing  e Comunicação

Esses dias, ouvi isso de um diretor de criação que estava avaliando minhas ideias para um cliente. Na verdade, já ouvi coisas parecidas várias vezes, ao longo de quase sete anos de convivência com profissionais do mercado publicitário. Mas, dessa vez, a frase ficou martelando na minha cabeça.

Desde 2010 a minha vida profissional tem sido dedicada à propaganda, mas desde 2014 eu não trabalho mais em agências. Vim para uma “house”, por assim dizer. Crio tudo internamente e vejo, em primeira mão, os resultados daquilo que coloco na rua. Acredito que foi esse tempo fora de agência que me fez questionar a validade de ter um tipo de ideia para vender e outro para a pasta. Minha experiência dos últimos anos me mostra que tudo que a propaganda planeja, cria, produz e veicula é para vender.

Podemos falar em “relacionamento”, “engajamento”, “storytelling”, “co-criação” e várias outras palavras da moda. Todos esses termos são, simplesmente, formas de aumentar vendas. Implícito depois de cada “precisamos fazer isso”, deveria estar “porque vamos vender mais se fizermos". São todos meios de se chegar a um fim, que é ouvir o cliente do seu cliente dizer “negócio fechado”. 

Aí vem a pasta. Para mim, portfólio é onde você expõe os seus melhores trabalhos. Aquilo que mostra ao seu futuro chefe que você sabe resolver criativamente um problema de negócio. Por isso mesmo, achava comum ver peças não veiculadas no portfólio de profissionais. Seriam exemplos de soluções que o cliente não aprovou, mas que funcionariam ainda melhor para ele do que aquilo que foi de fato posto na rua.

Se isso for verdade, o ciclo fecha: cliente tem um problema de negócio -> uma ideia criativa resolve esse problema -> cliente não aprova essa ideia e prefere um caminho mais seguro -> ideia criativa vira portfólio. 

Quando criamos a dicotomia entre “ideia para vender” e “ideia para a pasta”, essa lógica se perde. Se a ideia da pasta não serve para vender, qual é o valor dela? O que uma ideia publicitária que não resolve o problema de negócio diz sobre a capacidade do seu criador? Criatividade em propaganda deveria sempre ser o que faz o cliente vender mais. O que é criativo chama atenção, fica na memória, é compartilhado com os amigos, vira assunto no bar. Quando tudo isso acontece, aumentar as vendas é a consequência.

Como profissionais de propaganda, deveríamos ter como diferencial justamente o fato de conseguirmos usar nossos Macs para gerar mais resultado do que o anúncio que o cliente e o sobrinho dele fazem juntos, no PC. Quando nossas melhores ideias são menos eficientes do que isso, acho que é hora de repensar o propósito da coisa toda. A menos que você pense na pasta como passarela de moda. O lugar onde se colocam conceitos que só verão a luz do sol se o desfile for em lugar aberto. Coisas que não são entendidas na rua, que são exercícios de estilo.

Para mim, só tem um pequeno problema nisso: ninguém paga pelos nossos desfiles. Propaganda só existe para funcionar na rua.

 

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vitor frasson, portfolio, ideia, vender, cliente, redhook, cursosVitor Frasson se formou em Publicidade e Propaganda pela UFPR e trabalha com redação publicitária desde 2010. Nesse tempo, fez parte do quadro da HouseCricket, OpusMúltipla, Heads Propaganda e Agência Casa. Desde 2014, está em Maringá buscando provar que é tão possível ser criativo fora de uma agência quanto dentro.







 



 


Tags: cliente, ideia, portfolio, propaganda, vender

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