Hackers da inovação: manifesto para uma grande mudança

Hackers da inovação: manifesto para uma grande mudança

 inovação, hacker, Joao Ramos, Startup

Hackers da inovação: manifesto para uma grande mudança

Hackers sempre foram rotulados pejorativamente. As narrativas produzidas, principalmente por Hollywood, ajudaram a criar uma imagem marcante de caras encapuzados, trabalhando sorrateiramente em salas escuras durante madrugadas chuvosas, invadindo, saqueando e roubando dados e informações confidenciais para usos maléficos.

Essa figura estereotipada, presente em nossa imaginação coletiva, foi propositalmente criada para tornar histórias em narrativas ainda mais emocionantes. O fato é que, se formos pesquisar a verdadeira definição do termo, veremos a seguinte descrição:

“Hackers são, em essência, pessoas que se dedicam, com intensidade incomum, a conhecer e modificar os aspectos mais internos de dispositivos, programas e sistemas em geral”.

Nessa definição correta, em nenhum momento se fala sobre o intuito ou propósito — seja ele benéfico ou maléfico — no ato de conhecer profundamente um determinado sistema.

É quase como dizer para uma criança que Papai Noel não existe. Diante dessa abordagem, poderíamos dizer que hackers não são vilões. São apenas personagens que possuem uma capacidade única de se debruçarem sobre qualquer sistema a ponto de acumular conhecimento suficiente para reinventá-lo. Simples assim.

Sob o ponto de vista dessa concepção, você já se deu conta que para ser um hacker não é necessário ser programador, engenheiro ou mesmo um profissional da área de TI? Basta ser uma pessoa capaz de entender um determinado sistema, seja ele econômico, político, social, tecnológico, enfim, identificando suas vulnerabilidades para propor melhorias radicais ou criar atalhos que potencializarão suas funções.

Um advogado pode ser um hacker ao entender em detalhes todo o sistema de leis e propor soluções inovadoras para resolver problemas da sociedade. Assim como um professor, que ao decifrar falhas no sistema educacional, pode quebrar códigos dogmáticos e propor uma revolução para suplantar a forma tradicional de ensino.

Se um hacker encontra vulnerabilidades na tecnologia dominante dentro de um sistema vigente e as utiliza para criar algo novo, de certa maneira, todo ato de hackear é uma forma de inovação disruptiva. E não há nada de errado nisso. Muito pelo contrário.

O que estou propondo é justamente que tenhamos atitude para nos apropriarmos dos conceitos do universo hacker para aplicá-los dentro dos sistemas reais e não apenas virtuais, dando vazão ao processo de evolução de todos os sistemas em que estamos inseridos no mundo.

Ok, você deve estar achando tudo isso um exagero. A inovação disruptiva e radical em sistemas sociais, econômicos e até mesmo legais pode ainda parecer uma grande fantasia. Mas as pessoas, em tempos não muito distantes, também consideraram o controle quase total da fotografia por parte da Kodak como normal. No entanto, logo depois do surgimento e do domínio da tecnologia digital, e a quebra dessa que foi uma das maiores companhias da era industrial, pareceu obvio que a Kodak era inferior e que a mudança era positiva.

Talvez em no máximo cinco anos, veremos, portanto, que hackear sistemas legais, econômicos e políticos não será uma coisa de outro mundo.

Ainda é fácil tomar por certo e dogmático nossas tecnologias sociais dentro dos sistemas em que vivemos pura e simplesmente porque o mercado para lei e governança é tão raramente perturbado por inovações. Porém, se empresas são superadas por inovações radicais, produtos são substituídos por outros melhores, por que não leis, assim como sistemas econômicos, políticos e até mesmo de gestão pública não poderiam ser hackeados? Uber, Airbnb e outros aplicativos estão provando na prática que as forças políticas, jurídicas e até mesmo o lobby de sindicatos não são suficientes para segurar essa avalanche de inovações essencialmente disruptivas.

E o mais interessante disso tudo é que não há limites para esse processo. Empresários, estudantes, pais de família, filhos, publicitários, jovens, adultos, homens e mulheres possuem poder suficiente para hackear sistemas empresariais, educacionais, comportamentais, sociais e todos os outros possíveis e inimagináveis. A matéria prima para proporcionar essa revolução está aí para qualquer curioso insatisfeito com o status quo. Dados, informação e conhecimento estão acessíveis a um clic, colocando por terra todas as barreiras que de alguma forma possam impedir qualquer tentativa de transformação.

O bom é que hoje — diferentemente dos hackers estereotipados por Hollywood — para hackear leis, mercados, empresas e sistemas políticos, não será preciso usar capuz nem se esconder em salas escuras durante madrugadas chuvosas. Será necessário apenas que haja uma dedicação com intensidade incomum para conhecer e propor reprogramações dos aspectos mais obscuros, dogmáticos e retrógrados dos códigos que regem o mundo.

Se você possui esse espírito transformador e essa vontade de mudar o mundo em sua volta, comece compartilhando esse texto para que mais pessoas se inspirem e ajudem a espalhar a cultura da inovação hacker. 

___________________

João Ramos é idealizador e fundador da Start up Pague com uma foto. Considera-se um hacker da inovação. Também é coordenador de planejamento criativo da Storck Soluções Promocionais, palestrante, consultor criativo, formado em Relações Públicas e pós-graduado e sociologia da comunicação. Possui mais de 10 anos na criação e desenvolvimento de projetos baseados em gerar experiência entre marcas e consumidores.

voltar para Blog

show tsN fsN fwB center bsd b03s|tsN fwB bds uppercase b01n left|fwR tsN hide center|bnull||image-wrap|news|fsN fwR normalcase tsN fwB b01 bsd|b01 c05 bsd|news login fwR normalcase|tsN normalcase fwR|normalcase fwR|content-inner||