Marketing Político e engajamento social na era digital

Marketing Político e engajamento social na era digital

 

Marketing Político e engajamento social na era digital

 

Paulo Renato Oliveira, Especialista em Marketing Político e engajamento social 

RED NEWS: 
Na sua opinião, qual seria o case que serve como bom exemplo de Marketing Político e Engajamento Social nos últimos tempos? 

PAULO: 
O case mais importante foi o da primeira campanha do Obama para a presidência norte americana, em 2008. Ainda que ele seja relativamente antigo tudo que veio depois, em termos de eleições democráticas, foi baseado naquelas técnicas. 
Estratégias de Crowd Funding, organização de mobilizadores, gestão de crises, uso das redes sociais e tecnologias móveis e a integração da voz dos eleitores na campanha - estes e muitos outros conceitos foram aplicados pela primeira vez de forma eficaz na eleição americana de 2008. 

RED NEWS: Qual o segredo do sucesso da campanha do Obama em 2008? 

PAULO: A confiança no eleitor, dando-lhe espaço para participar efetivamente da campanha com voz, opiniões, braços e bolsos. O recorde de mais de U$ 750 milhões de dólares arrecadados é ainda mais espantoso por ter vindo, em sua maioria, do bolso de "small donnors" - pequenos doadores que contribuem com menos de 300 dólares para a campanha. Como dizia a declaração no cabeçalho do site da campanha, assinado pelo próprio candidato: "Peço que vocês acreditem não apenas na minha capacidade de promover mudança em Washington. Peço que acreditem na sua." As mensagens, as correntes de campanha, a mobilização, tudo foi um grande trabalho feito pelo próprio eleitorado, e viabilizado por uma estrutura de campanha inteligente no uso dos canais digitais. 

RED NEWS:
 Em época de eleições há um grande número de pessoas envolvidas em campanhas políticas. Qual a demanda desse mercado? Qual o perfil desse profissionais? 

PAULO: 
Campanha política tem espaço para todo tipo de profissional - e de não profissional. Você pode balançar uma bandeira na esquina que já está participando de uma campanha. Mas os perfis realmente valorizados são os que sabem criar grandes mensagens e disseminá-las de forma inteligente em cada um dos canais - e hoje os canais digitais são capazes de decidir eleições. Bons marketeiros, publicitários e jornalistas (de formação ou de coração) são sempre muito procurados, assim como pesquisadores e articuladores. Mas agora todos estes profissionais têm suas "versões digitais", como os analistas de redes sociais, os produtores de conteúdo interativo, designers para meios digitais, programadores e desenvolvedores. Em todos estes casos o entendimento das dinâmicas do eleitorado e a capacidade de trabalhar no "caos" da campanha são atributos essenciais. 

RED NEWS: 
Quais as principais transformações do Marketing político nos últimos tempos? O que funcionava e não funciona mais? O que funciona? 

PAULO:
 O Brasil teve grandes transformações em dois aspectos: o tecnológico, que aconteceu em larga escala no resto do mundo, mas também no cultural, que despertou o lado cidadão das pessoas de forma mais acentuada em alguns países. As manifestações de junho de 2013 foram o marco deste movimento, que já acontecia gradativamente há muito tempo. Estes dois aspectos - tecnológico e cultural - estão intrinsecamente relacionados e fazem emergir fenônemos como o crescimento da candidata Marina Silva nas últimas eleições, um crescimento totalmente desproporcional com a presença de mídia que a campanha tinha. Além disso torna-se cada vez mais difícil sustentar mensagens duvidosas e ancorar campanhas em um único tema, já que os canais permitem conexões com todos os setores da sociedade - para emissão e recepção de opiniões. É necessário utilizar amplas estratégias de conteúdo, mais consistentes e elaboradas, e utilizar de fato o poder multiplicador do eleitorado. 

RED NEWS: 
O que significa a estratégia de conteúdo em uma campanha política? 

PAULO: 
A estratégia de conteúdo possibilita conversar com diversos setores falando sobre os interesses específicos de cada um. É um jeito de ser encontrado pelo que interessa para o eleitor, e não ir atrás dele com os nossos temas. O que muitas campanhas ainda não conseguem é fazer com que estes pontos de contato dispersos consolidem uma única imagem da campanha, do candidato e do seu posicionamento - e neste caso a dissonância pode soar como falta de consistência na campanha, falta de coerência no discurso e, quando transferido para o candidato, falta de caráter ou integridade. Uma estratégia de conteúdo bem elaborada faz com que todo o eleitorado esteja olhando para um mesmo candidato, ainda que por ângulos diferentes. 

Paulo Renato Oliveira vai ministrar o curso Marketing Políticio e Engajamento Social na Era Digital naRedhook School em setembro. Ele é publicitário especializado em internet com mais de 15 anos de experiência. 

Esteve em Workshops com a equipe do Presidente Obama após as eleições de 2008 e presta consultoria nas áreas de comunicação e marketing político digital, ministrando cursos e palestras sobre o tema. 

Já foi diretor de criação de diversas agências em São Paulo e Curitiba, atendendo clientes como Petrobrás, Vivo, O Boticário, Renault, ONU (Organização das Nações Unidas), Kraft Foods e suas marcas Lacta, Trakinas e Sonho de Valsa, entre outros. 

Já recebeu prêmios nacionais e internacionais, inclusive de profissional de comunicação digital mais premiado no Clube de Criação do Paraná.
 

Leia aqui o artigo que Paulo escreveu sobre o uso da internet na campanha do Obama.

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