''Não gosto do meu prédio, mas não quero ser o síndico''

''Não gosto do meu prédio, mas não quero ser o síndico''

Laila Rotter Schmidt | Sócia e Diretora da agência Tête-à-Tête

Há alguns dias tive a oportunidade de ouvir uma palestra do Hugo Rodrigues (que, aliás, me encantou com sua simplicidade), e dentre todas as coisas incríveis que ele falou, uma em especial, me fez refletir. "Não gosto do meu prédio, mas não quero ser o síndico" - disse ele, defendendo a ideia que para as coisas avançarem é preciso mais ação e menos conversa.

Nunca fui síndica (pelo menos até agora), mas fui representante de turma, entrei na comissão organizadora de diversos eventos, fiz parte do núcleo estruturante docente... até gincana em festa de família já me ofereci para organizar. Pra mim foi sempre muito natural: estar envolvida nas coisas era algo que me fazia feliz. E de quebra, ainda aprendi um monte com essas experiências.

Acabei me tornando professora um pouco por conta disto. Sempre gostei muito de estudar, e fui parar no mestrado porque no mercado sentia muita falta do ambiente acadêmico (mais da biblioteca que da cervejada, juro!). Mas por outro lado, na academia sentia muita falta da rotina profissional, do desafio do papel em branco, de criar. Abri a agência e comecei a dar aula no mesmo ano, e desde então prática e pesquisa acadêmica são duas formas de realizar a minha paixão pela comunicação e pelo design (mas essa é uma conversa para outro artigo...).

Dois anos atrás, recebi a proposta de assumir a coordenação do curso de Publicidade. A primeira resposta foi não. A agência era prioridade, e dar aulas uma noite ou duas era fácil de conciliar. Mas ficar 20 horas na semana em função do curso, estava fora de cogitação.

Mas aí eu pensei em todas as críticas que ouvia (e confesso que também fazia) sobre os jovens publicitários: "a faculdade não ensina", "eles só vão ficar bons a hora que chegarem no mercado", aquele blá blá blá que se repetia e ainda se repete infinitamente nas conversas com colegas do mercado. Bem, era a oportunidade de fazer alguma coisa a respeito, não é?

E como esse dilema, passei por vários outros. Talvez por isso a fala do Hugo teve tanto sentido para mim. Parece tão natural a gente ter medo de ser vitrine, já que é bem mais confortável ser pedra. Falar é tão, mas tão mais fácil do que fazer. Além do mais, quem vai querer plantar sozinho para depois todo mundo colher?

É fato: quem não chama a responsabilidade para si não tem nada a perder. Mas também não tem muito a ganhar...

Acabei dizendo sim para a coordenação. Também disse sim para o Portal Projetar, para o Núcleo dos Publicitários da Associação Comercial, para o Clube de Criação do Paraná, para a criação do curso de Design Gráfico... Claro, estou quase enlouquecendo, mas estou muito feliz! Especialmente por que não estou sozinha. É com um grupo de pessoas inspiradoras e talentosas, amigos, colegas e mestres que estamos, aos poucos, conseguindo realizar coisas nas quais acreditamos.

Uma delas é a integração com outros mercados, especialmente de Curitiba. A tecnologia reduziu a distância e as parcerias criaram as oportunidades: teve palestra ao vivo da Redhook para os alunos, workchopp do CCPR transmitido para o mercado, e até júri de concurso via hangouts. Curitibanos vieram pra cá palestrar ao vivo e cascavelenses foram para a capital competir. Quantas experiências incríveis tivemos a oportunidade de trocar, e perceber que temos muito em comum e também várias coisas a aprender uns com os outros.

Quebrar algumas barreiras também foi importante. Quando nossos alunos foram para a capital e venceram o Creative Student Challenge, acabamos de vez com o mi mi mi de que o interior não tem como competir com a capital. É sensacional que eles comecem a vida profissional deles desconstruindo estes paradigmas, superando o medo de romper fronteiras.

E o futuro, parece promissor. Esta semana aconteceu o primeiro Behance Portfolio Reviews de Cascavel, junto com o resto do mundo todo, e tudo indica que será o primeiro de muitos. Ano que vem vamos receber cerca de 2.000 comunicadores de todo o sul do país para o Congresso Intercom Sul, o primeiro a acontecer aqui em Cascavel.

Certamente ainda há muito por fazer e por melhorar. Nossa contribuição é singela, e vem acompanhada de muitos aprendizados. Hoje eu penso muito bem antes de falar qualquer coisa, especialmente reclamar de algo ou julgar alguém. Sei como é estar do outro lado da janela, e nem sempre ela é o lugar mais privilegiado do bonde.

Fácil não é mesmo. É difícil pra caramba, o tempo todo. Mas espero ter conseguido te persuadir de que vale a pena. Seja no seu prédio ou no seu mercado, se você trocar o verbo pela ação vai fazer a diferença, especialmente para você mesmo. Mas cuidado: é viciante!

 

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Laila Rotter Schmidt é publicitária, mestre em imagem e som. É diretora da agência Tête-à-Tête, diretora de comunicação do Portal Projetar.org, docente e coordenadora dos cursos de Publicidade e Propaganda e Tecnologia em Design Gráfico do Centro Universitário FAG. É uma profissional multidisciplinar, que acumula 12 anos de experiência no mercado publicitário local. Também é pesquisadora na área de comunicação visual e design. Atualmente coordena o NPCOM – Núcleo de Profissionais de Propaganda da Associação Comercial de Cascavel e é Embaixadora do Clube de Criação do Paraná na mesma cidade.

 



 


Tags: ação , agência, criação, mercado, pesquisa, prática, publicitários

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