Não vamos falar mais disso

Não vamos falar mais disso

 publicidade, direção de arte, mulheres criativas

Não vamos falar mais disso

 

O ano era 2003, eu estava no início da faculdade de Publicidade. Logo de cara me interessei pela área de criação, já que sempre gostei de desenhar. Na minha primeira entrevista de trabalho, nesse mesmo ano, eu não tinha um portfólio, só umas ilustrações soltas e uns trabalhos da faculdade. Eu ja tinha aprendido o básico de Illustrator e Quark. Juntei a isso a minha vontade de aprender. Deu certo: consegui meu primeiro emprego.

Depois de um tempo trabalhando e conhecendo gente de outras agências, ficou claro pra mim que esse era um mercado dominado por homens. As mulheres estavam no atendimento e na mídia. "Você é diretora de arte? Nossa, que legal! É tão raro ver meninas na criação!" 

A frase acima foi tão recorrente durante a minha vida profissional, que já me peguei refletindo diversas vezes sobre o que de fato impede mais meninas de trabalharem na criação das agências? 

Talvez a repetição desse mesmo assunto seja um dos fatores.

E se nunca ninguém tivesse falado nisso, o mercado seria diferente? 


Quando eu consegui meu segundo emprego, foi através de um concurso que a agência estava promovendo online. Daqueles que você sobe a pasta pro site e seja o que Deus quiser. 

Nessa hora eu não estava vendo quem estava competindo comigo, logo, não podia me sentir "intimidada". Pensando bem, deveria ter bem mais meninos do que meninas disputando. E daí? E daí eu consegui a vaga na JWT.

 

Em 2013, ganhei o Young Lions Paraná ( até então vencido apenas por meninos ) e em seguida resolvi tirar um ano semi-sabático. Vendi tudo que eu tinha e mudei pra Nova York pra estudar na SVA - School of Visual Arts.

Mas aí no início de 2014 resolvi voltar a trabalhar em agência e fui parar na TBWA/Chiat/ Day NY. Lá, eu conheci a Beth Ryan, Diretora de Criação do núcleo de Jameson Whiskey, no qual eu trabalhei a maior parte do tempo. O fato de, historicamente, existirem mais homens do que mulheres na criação no mundo, também não impediu uma das melhores DCs que eu já trabalhei na vida de entrar nesse mercado. 


Um tempo depois, eu e meu dupla recebemos uma proposta da Ogilvy&Mather NY, mais precisamente da Corinna Falusi, CCO. Além de uma criativa incrível, ela entra pra estatística das poucas CCO mulheres que vemos por aí no mercado, tanto no Brasil quanto aqui nos Estados Unidos. 


Corta pro meu primeiro dia na Ogilvy. Após algumas horas de orientação para novos contratados, fomos levados para um tour pelo prédio. Num dos corredores do subsolo, numa das inúmeras salas de produção, sai uma senhora elegante, nos seus 60 e poucos anos. Essa senhora é Shelly Lazarus, Chairwoman da Ogilvy há 13 anos. 

 

Tudo bem, ela não é nem diretora de arte, nem redatora. Mas em 1971 quando ela começou, havia muito mais homens que mulheres desempenhando cargos importantes na propaganda. 

Meninas que estão começando a carreira na criação agora: quando vocês disputam uma vaga em uma agência, quem disputa, na verdade, é o seu trabalho. E trabalho não tem gênero.

O fato de ser uma área dominada por homens não impediu Mrs. Shelly, nem Corinna, nem Beth, nem eu. E também não deve impedir as futuras criativas do mercado a disputarem vagas, concorrerem a prêmios e crescerem na carreira. O bom trabalho sempre vencerá. 

E não se fala mais nisso. 

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Caro Rebello passou pela JWT, Master,  Heads e TBWAChiatDayNY. Desde novembro de 2015 é Diretora de Arte Senior na Ogilvy & Mather NY.

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