O dinamismo do mundo digital x inércia dos territórios físicos

O dinamismo do mundo digital x a inércia dos territórios físicos

 

Bernardo Gutierrez, Diretor da Futura Mídia O Bernardo é um espanhol simpático, fala português muito bem e passa grande parte do seu tempo em São Paulo, mais especificamente na Vila Madalena. Tem uma tremenda experiência internacional como jornalista e passou  pelos principais veículos de comunicação do mundo. Do nosso primeiro papo com ele surgiu a curiosidade pelos temas território e internet, os quais estuda profundamente, especialmente depois dos últimas manifestações populares no Brasil, sempre envolvendo ambientes on e offline. O currículo dele é longo, mas vale a leitura: Bernardo Gutiérrez é jornalista, fotógrafo, escritor e consultor de mídia. Estudou Ciências da Informação na Universidad Complutense de Madrid (Espanha) e na Universidade de Coimbra (Portugal). Como colaborador, editor, repórter, fotógrafo ou editor tem trabalhado para veículos como National Geographic, GEO, El País, Interviú, El Mundo, 20 Minutos, La Vanguardia, Público, Que Leer, Tiempo, La Repubblica (Roma), Expresso (Lisboa), Esquire, Playboy, Vogue, Der Tagesspiegel (Berlim), Clarín (Buenos Aires) e Milenio (Cidade do México), entre outros. Tem participado em mais de dez projetos de consultoria jornalística em diferentes países da América Latina e Espanha. Em 2010, Bernardo publicou o livro Calle Amazonas (Altaïr, Barcelona) sobre a Amazônia brasileira. Também é autor da obra de ficção #24H (dpr-barcelona). Bernardo pesquisa, escreve e dá palestras com frequência sobre comunicação, cultura hacker, cidades de código aberto, cidade transmedia, redes, cultura livre, ativismo digital e o mundo P2P. Bernardo Gutiérrez colabora na P2P Foundation e forma parte do grupo de pesquisa Global Revolution Research Network da Universitat Oberta de Catalunya (UOC). Realizou workshops, participou de mesas redondas de seminários e deu palestras em lugares tão díspares como a Casa América (Madri), Matadero (Madri), a Universidad de Navarra (Pamplona, Espanha), a Fundación para un Nuevo Periodismo Internacional (Cartagena de Indias, Colômbia), a Universidade de Harvard ( Cambridge, USA), a Universidad de Baja Califórnia (Tijuana, México), a Universidad Técnica de Manabí (Manta, Ecuador), Universidad de Costa Rica (San José, Costa Rica), a Organización Ibero-Americana de la Juventud(Madri), o Festival de Cultural Digital (Rio de Janeiro), o Instituto Cervantes (São Paulo, Rio de Janeiro, Recife), o Centro de Cultura de España de São Paulo, Matilha Cultural(São Paulo), a Universidad Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Martadero (Cochambamba, Bolivia), o Foro de Software Livre e Centro Cultural Mário Quintana (Porto Alegre), o Centro Cultural de España e a Fundación Friedrich Ebert (Cidade do México) ou a Casona Iluminada (Buenos Aires), entre outros. RED NEWS: O que o território tem a ver com a Internet? BERNARDO: Para falar verdade, para mim não existe uma fronteira muito grande entre o off e o on. Explico: apenas existem os espaços híbridos, a mistura do off e on, do digital e do analógico. Nesta nova realidade híbrida, as dinâmicas do mundo digital contagiam as inércias dos territórios físicos. E o mundo físico é uma peça vital para construção de ambientes digitais. Com a chegada da geolocalização, do W-Fi, dos Smartphones com Internet, realmente muda tudo. 

Então, a conceito de cultura digital está ultrapassado?

Ainda que seja polêmico falar isso, eu acho que sim. Prefiro falar de cultura de rede. As redes digitais – que alguns chamam de redes sociais – se entrelaçam com as comunidades do mundo físico. E ambas se retroalimentam. As interações digitais, os conteúdos compartilhados e/ou geolocalizados, os streamings, transformam o espaço físico em um novo território emergente, conectado e híbrido. As redes estão formadas por pessoas. Falar sobre cultura de rede é entender que a comunidade é mais importante que o formate e até que o conteúdo ou o produto. O diálogo pode e deve acontecer também nos entornos urbanos, físicos. RED NEWS: Como você definiria esta nova realidade? 
BERNARDO: A fusão de ambos constrói um novo espaço, uma quarta dimensão que havia intuído Michel Foucault com sua heterotopia ou Edward W Soja com seu terceiro espaço. Eu gosto de falar de uma realidade multicamada, com diferentes plataformas e camadas de comunicação, diálogo, articulação. O território físico é mais uma delas. Por isso, acho que devemos levar a conceito de storytelling transmedia ao território. A teoria de Henry Jenkins da transversalidade das histórias nas diferentes plataformas é excelente. Mas devemos considerar também o território como uma plataforma. RED NEWS: Algum segredo para criar plataformas participativas? 
BERNARDO: O segredo é considerar as marcas ou produtos plataformas. Transformar um objeto – web, praça, produto – num processo requer uma mudança absoluta de atitude. O conteúdo do projeto será fornecido pela rede e/ou comunidade. Concentre-se em garantir uma infraestrutura/arquitetura que incentive a participação e em transmitir uma atitude que garanta processo aberto. RED NEWS: Que importância tem o diálogo em tempo real nesse processo? BERNARDO: 
Diálogo em tempo real e no território, geolocalizado! A chegada da era 2.0 aposentou os portais de informação centralizada e vertical. Então, criar plataformas mais horizontais e participativas tornou-se o objetivo. Construir plataformas ainda é uma boa ideia. Mas na era do commons e das novas conexões Peer-to-peer entre pessoas, coletivos, empresas, governos, o objetivo é criar um protocolo replicável, aberto e livre. Em informática, um protocolo é uma convenção que possibilita uma conexão, comunicação, transferência de dados entre dois sistemas. Um protocolo é a regra que governa a sintaxe, semântica e sincronização da comunicação. O diálogo web-território, entre usuários, terá sucesso na medida em que seu conjunto de ferramentas, metodologia, infraestrutura e de conteúdo sejam facilmente replicáveis. Eles têm que se sentir donos do processo, do imaginário, da marca! Empoderar e perder o controle. Mas a dificuldade é extrema se não conhece sua comunidade. O Bernardo estrá em Curitiba no dia 8 de março para um workshop na REDHOOK, se o assunto te interessou, não perca a oportunidade de aprender mais. Infos e inscrições: contato@redhookschool.com |www.redhookschool.com | 41 3524 9702

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