O fim da mídia

O fim da mídia

by Ricardo Schrappe | Sócio e Diretor de Criação da Fuego Comunicação

Criar prognósticos definitivos para tudo que surge de novo parece ser um passatempo irresistível para o ser humano. Quando surgiu a TV, surgiu também a história de que ela acabaria com o Rádio. Quando surgiu o CD, logo disseram que ele acabaria com os discos de vinil. Quando surgiram os leitores digitais, era óbvio que eles decretariam o fim dos livros e, por consequência, das livrarias. Mas não foi bem isso que aconteceu. O Rádio continua aí, firme e forte, como veículo de entretenimento, informação e publicidade. O disco de vinil deixou de ser mainstream, mas virou artigo de colecionadores, de puristas nostálgicos e, ainda, artigo de trabalho de descoladíssimos DJ's. Tudo bem que os disruptivos mp3 e as tecnologias de streaming obrigaram a indústria da música a se reinventar completamente, mas ela continua aí, com músicos lançando discos e fazendo shows como sempre fizeram.   

Na Publicidade, a grande sensação deste milênio foi a ascensão da internet e de inúmeras tecnologias digitais. Adwords, mídia display, gamification, Facebook, mobile, geotargeting, pre-roll, post-roll, programática, inbound... Mídias mais baratas, mais precisas, com métricas mais tangíveis (ainda que nem sempre confiáveis), e resultados que podem ser acompanhados em tempo real. Uma mídia "assertiva", como milhares de profissionais de marketing passaram a, erroneamente, adjetivá-la, pensando estarem se referindo às suas margens de acerto.

A mídia digital é de fato fantástica, oferece um controle muito maior, permite menor dispersão e tal, mas não é absoluta e nem vai matar a mídia off. Grandes empresas exclusivamente digitais, como Netshoes, Zap, Submarino e Uber, por exemplo, buscam nas mídias offline abrangência e credibilidade para divulgar suas marcas. Por quê? Porque ainda tem muita vida longe das telinhas de smartfones, tablets e notebooks. As pessoas ainda saem de casa, ainda vão ao mercado, aos shoppings, ao clube, ao cinema, a restaurantes, a praças e parques. As pessoas ainda ouvem rádio em casa, no carro, pelo celular. Acompanham as notícias no telejornal, as novelas, as transmissões esportivas. Veja você o que aconteceu com a maior livraria do planeta, a Amazon.com, até então totalmente digital. Ela está investindo na criação de uma rede de lojas físicas, para que seu consumidor possa ter a experiência de escolher livros ao vivo, presencialmente. Esta experiência real é o que, a meu ver, confere à mídia off uma aura de solidez e de proximidade, que mantém sua relevância mesmo nesse tsunami digital.

Não, a mídia on não vai matar a mídia off, até porque comunicação é uma coisa só. Para que uma estratégia de comunicação funcione e traga o resultado esperado, ela tem que saber se valer das melhores ferramentas disponíveis. Essas ferramentas às vezes são on, às vezes são off, mas quase sempre elas são tudo isso ao mesmo tempo. Mídia on e mídia off são mais fortes quando trabalham em conjunto, de modo que considerá-las como partes excludentes de um plano de comunicação é como escalar um remador para um barco desenhado para quatro ou mais. Ele até pode chegar a algum lugar, mas vai levar muito mais tempo e consumir muito mais recursos para isso. Ou seja, não faz o menor sentido.



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Ricardo Schrappe Sócio e diretor de Criação da Fuego Comunicação
Ricardo Schrappe é especialista em Criação pelo Portfolio Center, de Atlanta (EUA), e MBA em Gestão de Negócios pelo Ibmec. Passou por agências como OpusMúltipla e Loducca antes de criar a Fuego, em 2003. Redator premiado no Colunistas Paraná e Brasil, CCPR, CCSP e Profissionais do Ano, da Rede Globo. É sócio-fundador do Clube de Criação do Paraná e diretor adjunto do Sinapro-PR.





 



 


Tags: Comunicação, digital, mídia, publicidade, tecnologias

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