Viva por isso. Mas não morra por isso.

Viva por isso. Mas não morra por isso.

Alexandre Catarino | Redator da OpusMultipla

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É só propaganda, gente. Não somos os seres mais especiais do universo só porque fazemos isso. Nosso anúncio não vai mudar a humanidade. Nosso filme não vai reconstituir a Pangeia. Nosso videocase pode até ganhar leão, mas não vai render um Prêmio Nobel. A Terra tem bilhões de pessoas, e só 0,0000023% delas trabalham com propaganda. Sim, somos insignificantes para esse mundão. Mas calma, não quero que você desista dessa carreira. Pelo contrário. Quero que você ajude a salvar a nossa profissão.

Precisamos urgentemente entrar num DeLorean e voltar para os anos 80. Não para fazer tudo como se fazia. Mas para se viver a profissão como naquela época. Conheci várias pessoas que estiveram lá e elas me confirmaram: trabalhar em propaganda era bem mais divertido. Claro que deveria haver stress. Mas com certeza havia menos úlceras. A admiração superava a invejinha. Clientes tinham hierarquias enxutas e, consequentemente, menos medos acumulados. Agências ganhavam contas sem precisar entregar um trabalho pronto de graça.

A sensibilidade e o instinto eram mais valorizados do que a tabulação de uma pesquisa. Campanhas de verdade, que mexessem com o Brasil inteiro, era o que todo criativo queria ter no portfólio. Ninguém se contentava apenas com o release da campanha no jornal do meio, ou elogios dos amigos. Tinha que acontecer e fazer sucesso. E o pior é que esses desgraçados conseguiam. Trabalhavam sério sem se levar a sério. Entregavam o job sem deixar de se divertir. Marcas serão eternamente lembradas por culpa de campanhas criadas naquela época. Fábricas foram construídas e dão emprego a muita gente até hoje por causa de filmes, anúncios, spots e outdoors inventados naquele período. É isso. Essa é a importância que devemos dar à nossa profissão.

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Hoje estamos dando importância do jeito errado. Não, não precisamos de check-ins nas agências aos sábados e domingos. Não temos que nos orgulhar de falar que viramos a noite trabalhando. Será que só assim é possível entregar um trabalho bom? Olhando para os anos 80, tenho a impressão de que é justamente o contrário. Precisamos viver a vida lá fora para nos descontaminar. Ser workaholic tem que ser opcional, e não a regra, para se colocar na rua uma campanha maravilhosa. Não consigo aceitar que um cara que escolheu fazer Medicina sofra menos que a gente durante o expediente.

Não me entenda mal: não estou dizendo que você não deve se dedicar. Na verdade, tem que se esforçar ainda mais pra fazer o melhor trabalho do mundo sem gastar todas as horas da sua vida nisso. Trabalhe para fazer algo que te dá orgulho. Só não venda sua alma ao negócio.

 

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alexandre catarino, opusmultipla, propaganda, publicidade, redhookAlexandre Catarino é redator na OpusMultipla, tem passagens por agências como Master, Talent, DM9DDB e NeogamaBBH. É autor de diversas peças premiadas (Cannes, Clube de Criação de São Paulo, FIAP, Prêmio Abril, Associação Brasileira de Propaganda - ABP, Associação Nacional de Jornais (ANJ), Wave, entre outras.) Entre seus trabalhos está a campanha Rugby, desenvolvida para a Topper.

Tags: Comunicação, criação publicitária, criatividade, propaganda, publicidade

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